Como treinamos o nosso cérebro para odiarmos nosso corpo (e o que podemos fazer para mudar isso)

Li um artigo com esse título (o original aqui: “How we train our brains to hate our bodies”) e achei tão tão pertinente diante de tantas mensagens que eu recebo de mulheres e meninas que estão insatisfeitas consigo mesmas, além da minha própria história, que resolvi traduzir e trazer pra cá.

Espero que seja uma boa leitura pra vocês também! ❤️

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Quando você olha o seu corpo no espelho, para onde vão os seus olhos? Se você é como a maioria das mulheres, eles vão instantaneamente na direção das partes que você quer mudar, das partes que você odeia. Você dá um zoom automático nas suas “regiões problemáticas”.

Talvez você sugue a sua barriga ou use as mãos para levantar ou apertar alguma coisa que está flácida, e talvez você xingue o seu corpo pela aparência dele. “Por que você não pode ser diferente? Ugh”

Se esse pequeno e degradante ritual soa familiar, você não está sozinha. Muitas de nós realmente não acredita quando os outros dizem que nós estamos bem (ou que estamos maravilhosas). E nós permitimos que esses pensamentos negativos sobre nossa aparência dite a forma como agimos. Nós escolhemos nos vestir de certa forma, nos comportar de certa forma, buscar certas carreiras e relacionamentos sempre nos baseando na nossa autoimagem. Esse comportamento é tão comum que nós raramente reconhecemos o quão problemático isso é de fato.

Pense em quantas vezes você ouve as pessoas dizerem coisas como “Ugh, eu preciso mesmo voltar à forma” quando notam que alguma parte do corpo delas se mexe um pouco mais que o normal. Nós todos acenamos com a cabeça e fingimos não notar que o que essas pessoas estão realmente dizendo é “eu queria ser diferente” ou até mesmo “eu tenho nojo de mim mesma”. Nós vivemos por aí repetindo frases de aversão a nós mesmas, apoiando cegamente umas às outras nesse hábito. Nós nos apoiamos na crença de que o problema é o nosso corpo.

Mas o problema não é o seu corpo. Não me entenda mal: estar em forma é ótimo. Eu adoro. Além disso, o processo em si nos ensina um monte de coisas a nosso respeito.

Mas se tornar obcecada por aquilo que você quer mudar impede que você lide com o real problema. E o real problema é como o seu cérebro traduz o que vê e como você o tem treinado para traduzir a si mesma.

As pegadinhas que o seu cérebro prega em você

 

Seu cérebro está constantemente montando uma imagem com base nas dicas, pistas e informações que recebe por meio dos seus sentidos e sentimentos. Os hormônios, que respondem aos seus estados mentais e emocionais, afetam essa imagem. Por exemplo: logo após o sexo, enquanto você está inundada por ocitocina e dopamina, o seu parceiro é simplesmente o cara mais gato – certo?

Ou então vamos dizer que o seu ex está agora namorando uma (supostamente) loura maravilhosa e super sexy. Enquanto você vasculha a vida dela no Facebook (não estou julgando!), o seu cérebro vai embaralhar a construção da imagem dela para que ela não pareça atraente a você de forma alguma. Sua cabeça sempre vai encontrar formas de confirmar que ela parece uma vaca idiota que não deve tão bonita assim sem toda aquela maquiagem das fotos.

No entanto, se você tivesse visto essa garota sob outras circunstâncias, seu cérebro poderia ter construído uma imagem diferente para você. Se ela tivesse se aproximado de você, timidamente, oferecendo ajuda no escritório, você provavelmente a enxergaria como uma mulher muito bonita.

O ponto é: o seu cérebro está constantemente usando o contexto e seus sentimentos sobre as coisas/pessoas/situações para montar o cenário que você vê.

O que nós vemos quando olhamos no espelho

 

A maioria das mulheres inconscientemente acabaram se treinando para procurar – e achar! – cada e qualquer falha no seu rosto ou no seu corpo. Ao longo dos anos, especialmente na puberdade, muitas meninas e mulheres vão se olhar no espelho e vão se despedaçar. Eventualmente, isso passa a se tornar um hábito tão enraizado, como um ritual automático de auto-destruição, que os nossos olhos inevitavelmente vão enxergar aquelas falhas toda vez que nós olharmos para o nosso reflexo.

Nós temos praticado essa habilidade por tanto tempo e com tanta primazia que não mais conseguimos ver o que as outras pessoas acham bonito ou sexy em nós. Nós não queremos ser rudes quando discordamos dos elogios: nós apenas não acreditamos que seja verdade.

O que nós treinamos determina o resultados que veremos. Nós temos treinado, durante toda a nossa vida, a baixa autoestima e uma autoimagem negativa. Mas isso não significa que nós estamos presas a isso: uma vez que nós levamos o nosso cérebro a essa bagunça, nós podemos tirá-lo também.

8 dicas para treinar o seu cérebro para amar o seu corpo

 

1. Seja positiva

Quando você olha para o seu rosto e para o seu corpo no espelho (ou nas fotos), direcione seu foco conscientemente para as coisas que você gosta em si mesma – e demore o tempo que for necessário se admirando. Diga coisas positivas sobre o que vê e o que gosta, e deixe-se imaginar como as pessoas devem admirar as suas belezas também.

2. Pense no quadro geral

Corra seus olhos pelo seu rosto e pelo seu corpo, sem dar aquela pausa para pensar no que você gostaria de mudar neles. Você é muito mais do que um amontoado de partes de um corpo. Você é uma pessoa inteira e
merece ser reconhecida e tratada como tal.

3. Reconheça que você tem uma opção

Você vai se pegar escorregando de volta aos hábitos negativos? Claro que sim. Mas lembre-se que você tem uma opção: você vai se render aos velhos hábitos ou optar por um novo modelo de comportamento?

4. Impressione-se

Arrase no trabalho, evolua nos treinos, desenvolva uma nova habilidade. Não importa o que seja contanto que você ache impressionante. Focar no que você pode fazer, em vez de focar no que você acha que é, é uma grande parte da reeducação do seu cérebro.

5. Explore o seu corpo

Reserve um horário para… se masturbar! (sim, nós vamos falar sobre isso!) Você é digna de ser explorada, então, leve o tempo que for necessário. Atente-se para as formas e curvas do seu corpo. Imagine o que uma outra pessoa (do seu passado, presente ou até mesmo um/uma amante imaginário/a) veria quando olhasse para você. Admire-se e se explore a partir desse ponto de vista ou de qualquer outro que permita que você se enxergue de uma forma positiva.

6. Pare de se comparar com as outras mulheres

Cada uma de nós temos nossos dons e diferenciais para exibir e oferecer e a beleza ou o sucesso de outra mulher não tira a nossa própria beleza ou o nosso próprio sucesso. Você nunca deve comparar uma rosa e uma margarida e concluir que, já que uma é bonita, a outra é automaticamente feia.

7. E lembre-se que elas são humanas também

Até mesmo a mulher mais perfeita do mundo tem problemas emocionais, suas próprias inseguranças, suas dificuldades e sua autoimagem distorcida. Isso pode parecer meio bobo ou até mesmo loucura imaginar que aquela mulher maravilhosa e magra poderia se sentir insegura, mas saiba que as suas inseguranças também podem parecer bobas ou doidas para alguém que é menos “fit” que você.

8. Lembre-se que você está desfazendo uma vida toda de distorções

Ou seja: a mudança de percepção não vai mudar da noite para o dia. Portanto, pratique. Seja paciente. Tenha compaixão por si mesma. E continue em frente.

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Esse texto não é novo para mim, nem para os leitores do antigo blog porque essa tradução foi postada originalmente lá. Mas quis publicar aqui também porque, se antes eu já achava importante a gente se empoderar e se amar, hoje então nem se fala!

Assim como eu, muitas mulheres passam a vida sofrendo por causa de padrões estéticos inacessíveis e/ou insustentáveis, e o pior: muitas mulheres MORREM todos anos na busca pela ~perfeição~ que tanto nos é cobrada diariamente. Seja em decorrência de desnutrição em função de transtornos alimentares, seja pelas “complicações” da depressão, ou então ao se submeterem a procedimentos estéticos.

Se amar, se valorizar e se empoderar não é uma questão apenas de autoestima e auto-cuidado: é uma questão social, política e econômica.

Pense comigo: muitas indústrias lucram com a nossa insatisfação com o próprio corpo. Muita gente MORRE pela instatisfação com o próprio corpo. Muita gente (repito, MUITA gente) é manipulada por essas indústrias altamente lucrativas e pelo governo para que a insatisfação com o próprio corpo tire o seu foco de questões sociais, políticas e econômicas que realmente deveriam ser nosso foco.

E se você achou viagem o que falei ali em cima, tudo bem também! Então pelo menos tente se amar porque você merece ser amada, feliz e livre de rótulos e auto-punições. Já tá ótimo assim! ❤️

Se vocês gostaram desse texto e gostariam que ele chegasse a pessoas queridas que precisam ler essas palavras, passe esse post adiante: compartilhe!

(desconheço a autoria: quem souber, avisa pra eu creditar certinho, por favor)

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