Nós, mulheres

Nós, mulheres, fomos ensinadas a temer nossos corpos e a sentir vergonha e até repulsa por eles.

Fomos ensinadas que nossa natureza deve ser mantida em segredo: mostrar nosso corpo é provocar o outro, é “pedir” para que sejamos assediadas ou violentadas, afinal, “homens são assim mesmo” e nosso corpo não é nosso, na prática.

Fomos ensinadas que, por causa do nosso corpo, é “normal” passarmos constrangimento. Seja pelo comentário inconveniente do cara na rua, do chefe ou de alguém aleatório nas redes sociais.

Fomos ensinadas que nosso corpo, ao mesmo tempo que provoca, também é motivo de vergonha: nunca seremos boas o suficiente como a garota da capa da revista ou como a mina com 3 milhões de seguidores do Instagram. Inventamos truques, poses e efeitos para sair bem na foto e ganharmos aceitação na forma de likes.

Fomos ensinadas que nosso corpo também é nojento. Pelos, menstruação, celulite, gordura, estrias? “Não, isso não!”, eles dizem.

Gravidez? A responsabilidade de evitar é só nossa – e a culpa se acontecer também.

Fomos ensinadas que a vida pode estar uma merda, mas temos que estar sempre bonitas, gostosas e disponíveis sexualmente. Afinal, “mulher de verdade não tem frescura, mas é sempre feminina e vaidosa”.

Fomos ensinadas que, se você mostra o corpo e se orgulha dele, está querendo atenção de macho. E que se você não o mostra, é recatada demais. Se você não se prende a padrões estéticos, é desleixada e conformada. Se você deseja malhar, emagrecer, ganhar músculos, você é fútil e influenciável.

O que NÃO fomos ensinadas é que NOSSO corpo é SÓ nosso e que nós é quem decidimos o que fazemos com ele e a quem damos acesso. Não fomos ensinadas que não precisamos nos enquadrar no “padrãozinho”. Não fomos ensinadas que “ser bonita” não é o aluguel que pagamos pra viver nesse mundo, nem a viver em liberdade, sem julgamentos, sem vergonha e sem medo. Mas estamos aprendendo a lutar por isso todos os dias.

Ame-se acima de tudo, mulher, e tenha orgulho da sua natureza em todos os seus detalhes, marcas, perfeições e imperfeições. Tome posse do seu corpo, do seu amor próprio e da sua vida. No final das contas, é isso que te faz um mulherão da porra. ❤️

 

– Ticiane Toledo ( @ticianetoledo )

 

(imagem de autoria desconhecida: quem souber, me avise pra eu atualizar aqui, pls)

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